Paes com vendedores de mate - Foto: Fabiano Rocha / Extra

Paes com vendedores de mate - Foto: Fabiano Rocha / Extra

Quem ler o meu guia completo do Rio de Janeiro, vai ver que é obrigatório para todo o turista (e local também) tomar um mate de tonel na praia. Junto com o biscoito Globo, a bebida é uma tradição da nossa orla. Pois o nosso prefeito havia decidido banir esse nosso costume, sob a alegação de que os vendedores não tinham cuidado na preparação da bebida e que ingerí-la poderia ser prejudicial para a nossa saúde. Bom, em um ponto ele tem razão… realmente não fazemos a mínima ideia do que tem dentro daqueles toneis. Já vi vendedor misturando dentro de balde. Mas, em vez de proibir, que é o caminho mais fácil, a prefeitura deveria fiscalizar.

Ontem, porém, nosso prefeito marketeiro sucumbiu. Após um excelente trabalho do repórter Antero Gomes, do Extra, acompanhando os vendedores na praia, a fiscalização, as reclamações, Eduardo Paes recebeu três vendedores na sede da prefeitura e resolveu liberar geral. Os vendedores, que na praia continuavam vendendo o mate gritando “olha aí o proibidão do Paes”, sairam felizes da reunião e tiraram fotos com o prefeito.

Confira abaixo o texto do repórter Antero Gomes no Extra:

“Olha aí o liberadão”. Esse é o grito que os vendedores de mate em tonel prometem adotar a partir desta sexta-feira para anunciar a volta definitiva da bebida às areias do Rio. Em tom de comemoração, a frase é reflexo de uma resolução tomada pelo prefeito Eduardo Paes ontem, que decidiu dar um choque de bom senso ao “Choque de Ordem” que impera na cidade. Paes anunciou o fim da repressão à erva diluída que tanto sucesso faz há gerações. Em vez de proibição, haverá fiscalização de qualidade.

Para selar a paz, houve até brinde entre Paes e ambulantes no gabinete do prefeito. Nada de champanhe e taças de vidro na comemoração. Como não poderia deixar de ser, o tim tim foi feito com copos descartáveis e mate com limão tirado direto das torneirinhas metálicas. Paes foi servido por um dos vendedores mais antigos da orla, Francisco Alves, de 51 anos, sucesso entre os clientes de Copacabana há 36 anos. Bruno, como Francisco é conhecido, foi acompanhado por outros dois colegas de areia.

— Ninguém vai falar mais “olha o proibidão do Paes”. Agora, vamos falar “olha o liberadão” — disse o ambulante Heleno Cândido, de 40 anos, que, em dezembro, migrou de Ipanema, onde a repressão já tinha começado, para a praia de Copacabana, onde a proibição chegaria este mês.

Empolgado, Paes prometeu colocar na parede do gabinete a foto tirada ao lado dos ambulantes descalços e posou para os flashes carregando nos ombros os tambores, de óculos escuros. No fim, confessou:

— Já tomei muito mate nessa vida. Pode chamar de mate do prefeito, agora. Se alguém encher o saco de vocês pode dizer que eu mandei liberar.

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