No último domingo fui cobrir o jogo entre Botafogo e Flamengo no Engenhão. Voltei com a sensação de que muito ainda tem que ser feito até as olimpíadas, mas isso não é nenhuma novidade. Segue abaixo o relato que publiquei no jornal e, acima, o vídeo com as imagens do campo de guerra no entorno do estádio:

Ao me ver entre o cassetete de um policial e a Torcida Jovem do Flamengo, que partia para cima da Jovem do Botafogo, lembrei de um dos meus sonhos da época da faculdade de jornalismo: ser correspondente de guerra. De uma certa forma, era isso o que estava acontecendo, pois todos os elementos de uma guerra estavam lá: bombas de gás lacrimogêneo e morteiros, pessoas feridas e o ódio estampado na cara tanto de torcedores quanto de policiais.
A cada chegada de torcida organizada na estação de trem, um novo confronto. De um lado, pessoas que se diziam torcedores, mas que pareciam ter como único objetivo arrumar confusão. Um em especial chamava a atenção, usando apenas tênis e uma sunga igual à dos lutadores de vale-tudo, ele não estava ali para torcer, e sim para brigar, como pude constatar mais tarde. Do outro lado, uma polícia nervosa e também ávida por partir para o ataque, colocando-se no mesmo nível dos pseudotorcedores e aumentando o clima de animosidade. O cassetete vinha antes de qualquer palavra. Vi torcedores apanharem sem motivo e, ao filmar uma briga entre as torcidas dos dois times, quase virei vítima. Fui salvo pelo crachá do jornal, que levantei como um escudo, mas que não me protegeu do spray de pimenta. Voltei para a redação do jornal com o braço ardendo.

Raça Rubro-Negra chega ao Engenhão

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