Pois é… cá estou eu a falar dos cruzeiros novamente. Não queria não, mas me ví obrigado depois da matéria que o Fantástico fez. O pessoal da comunidade da Vibe On Board no Orkut chiou, falou que eles estavam generalizando e tal, mas o fato é que, tirando a parte em que os apresentadores introduzem a reportagem, onde realmente há uma generalização, a matéria não é muito diferente das já feitas em raves. Ou seja, nada de novo na tela da Globo.

Assistam à reportagem:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

[Atualização: ‘Mais uma morte em navio de cruzeiro. Já é a quinta da temporada’]

Sérgio Fonseca

Island Escape

O fato é o seguinte: houve venda de drogas. As imagens estão lá. Eu, como DJ de música eletrônica, tendo tocado em festivais, boites e afins, sei que o pessoal não tem o menor pudor na hora de usar e vender. É só vocês verem que tem uns idiotas que vendem no Orkut, ou mesmo que batem no peito e dizem abertamente que tomam isso ou aquilo, sempre achando que ninguém está vendo, que nada vai acontecer. No vídeo tem lá… o cara distribuindo as balas no meio da pista… o outro vendendo doce no corredor do navio… a menina falando que tomou um e fumou outros… o outro lá, fritando na piscina… e tem ainda os que acham que estão tranquilos, cheirando loló em latinha de cerveja.

Acho que a matéria pegou mais pelo lado da incapacidade da polícia de impedir a entrada de drogas e também das empresas de cruzeiro de prestar um atendimento médico em caso de alguém passar mal. Se você estava no navio e não estava usando drogas, não tem o que se estressar.

É como comentaram no outro post que fiz sobre o assunto: ‘por que não fazem mais reportagens, como: ‘Carnaval, a festa das Drogas’ , ‘Axé, tirando o pé do chão com as Drogas’, ‘Futebol: as torcidas das Drogas (dependendo do time, com duplo sentido!!)’ e até ‘O Projac das Drogas, vamos salvar nossos talentos’???

Bom, acho que primeiro é porque não morreram pessoas nesses eventos por uso de bebida ou drogas (pelo menos não em um caso que tenha tido repercussão nacional). Quem se lembra das matérias que fizeram nas festas rave logo após a morte de um garoto menor de idade em uma festa no Rio? Foi a mesma coisa.  Mas temos que pensar que existem dois lados nisso… um é o sensacionalismo que tanto todo mundo alardeia. O outro lado é o papel de um jornal, que é trazer para o leitor, espectador ou internauta informações que o ajudem a entender como certas coisas acontecem (mas aí, tendo o cuidado de deixar que ele tire as suas próprias conclusões… a tal da imparcialidade). Explicando: uma menina morreu em um cruzeiro cheio de jovens… então mostra-se o que acontece nesses cruzeiros. É lógico que aquilo é um recorte, que nem todos estão cheios de bala e doce na mente, mas não há como negar que o fato está ali…

Tanto que a matéria não se fixa apenas no consumo de drogas. Fala do outro rapaz que morreu e do pessoal que passou mal a bordo, mostrando como funciona o ambulatório de um navio, para que aqueles que estão consumindo a notícia possam tirar suas conclusões sobre o tipo de atendimento que é oferecido. Além disso, dá-se voz aos interessados… ouvem-se os dois lados.

Isso é o básico, ‘journalism 101’, e, tirando uma quedinha para o sensacionalismo aqui e alí, foi o que o Fantástico fez. Podem reclamar e espernear, mas pensem bem se vocês não viram diversos excessos no navio… pensem se, caso alguém passasse mal, mas mal mesmo, aquele ambulatório lá, com o tal médico colombiano que não entendia as pessoas, seria capaz de atender bem. Pense no valor que é cobrado (porra, R$ 260 por uma consulta é brincadeira)… As informações da matéria geram uma discussão, que nesse momento em que quatro mortes ocorreram e diversas pessoas passaram mal, é bem-vinda.

E você, o que achou da reportagem??? Clique aqui e deixe o seu comentário

Para saber mais sobre os problemas da temporada 2008/2009 de cruzeiros, leia os posts:

‘Quatro mortes e muitos problemas na temporada de cruzeiros 2008/2009’

‘Cruzeiro Universitário: jovens, muita bebida e uma morte’

Quer dicas sobre como curtir um cruzeiro sem problemas, visite o post ‘Singrando os mares’

Leia também: ‘Navio de cruzeiro encalha em rio do Canadá com 300 pessoas a bordo’

Se você veio parar nesse post direto de algum mecanismo de busca, clique aqui para ler as outras matérias na página incial do Sem Destino.

E, para vocês não acharem que é má vontade com as empresas, acabei de editar este vídeo lá no jornal sobre uma funcionária da Companhia Docas que trabalha no porto há 30 anos. Ela sempre via os navios indo e vindo, mas nunca havia entrado em um… o jornal então realizou o sonho dela. Assista:

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