rio-rockers.jpg O número de albergues no Rio de Janeiro aumenta a cada ano, e o turista brasileiro começa a descobrir este tipo de hospedagem, mas muitos estabelecimentos estão em situação irregular.

Em 1999 eram apenas uns quatro albergues em toda a cidade. Em 2003, o número subiu para vinte. Hoje, já são mais de quarenta. Difícil é saber a quantidade exata, já que muitos não são cadastrados na EMBRATUR, na RioTur nem possuem alvará de funcionamento junto a Prefeitura. Fiquei curioso para saber a dimensão disso e fui conversar com a assessoria de imprensa da EMBRATUR, que me disse que tem apenas 25 albergues cadastrados com eles. Minha curiosidade me levou então a buscar na internet o maior número de albergues que eu conseguisse. Preparei uma lista, que divulgo aqui no blog, com 52 albergues, fora os que eu sei que existem e não tem página na Web. Só de cabeça lembrei de uns 10.

beliche.jpgNa Rua Barão da Torre, número 175, em Ipanema, existe uma vila com dez albergues. Apenas três constam dessa minha lista e, segundo informações que eu recebi de um dos proprietários, a maioria não tem a documentação necessária.

Mas, e aí? O que acontece com esses albergues. O Ministério do Turismo afirma que está estudando um projeto de fiscalização, em parceria com os órgãos oficiais de turismo, governos estaduais e prefeituras. A idéia é, ao invés de punir, dar orientação e supervisão, com o objetivo de melhorar a qualidade dos serviços. Mais sábio, mas precisa tirar o projeto da gaveta.

lighthouse-room.jpgRodrigo Leporage, 24 anos, proprietário do Rio Rockers, inaugurado em janeiro deste ano, acredita que o problema destes albergues “piratas” é que o turista não tem a quem recorrer em caso de problemas. Além disso, estes albergues “queimam o filme” de quem está tentando fazer tudo certinho, dentro da lei. Rodrigo tem todas as licenças necessárias e é também um dos poucos cadastrados da Hosteling International no Rio. A HI é a antiga Albergues da Juventude, que hoje usa o nome internacional e mantém regras rigorosas de conduta para os estabelecimentos cadastrados. Uma delas é a proibição a quartos mistos, coisa que muitos albergues têm e que eu não vejo muito problema. A maioria dos albergues que eu fiquei na Europa tinha quartos mistos.

Mas estes albergues sem cadastro não necessariamente são piores que os outros. Acredito que caberia aos órgãos responsáveis simplificar um pouco da burocracia e melhorar a fiscalização, para que esse problema fosse resolvido.

stone-of-the-beach.JPGUma constatação unânime nas minhas conversas com os proprietários foi o aumento no número de brasileiros que buscam os albergues. Parece que houve uma desmistificação do nome “albergue”, que muitos ainda vêem como uma pensão barata ou mesmo um abrigo para mendigos. Heitor D´Alincourt, proprietário do Copacabana Wave Hostel, inaugurado em dezembro do ano passado, contou diversos casos de pessoas que ligam querendo doar roupas, dinheiro, ou que aparecem lá pedindo para passar a noite, e se assustam ao ver do que realmente se trata. Mas tanto ele quanto outros proprietários acreditam que o fato de a novela “Paraíso Tropical” ter mostrado um albergue ajudou neste processo. “As pessoas às vezes ligam brincando, perguntando se aqui é o albergue da Lúcia”, diverte-se. Segundo ele, durante os jogos Pan-Americanos o Wave Hostel registrou uma ocupação de 70% de brasileiros.

Mas existe uma unanimidade também quando o assunto é a diferença entre o comportamento dos hóspedes estrangeiros e brasileiros. Silvia, proprietária do The Lighthouse, em Ipanema, confessa que os únicos problemas que ela tem são com os brasileiros. “É muito comum eles reservarem e não aparecerem. Eles geralmente demandam mais atenção também. E eu tive muitos casos de clientes brasileiros que saíram sem pagar”. Heitor, do Wave Hostel, tem o mesmo problema: “infelizmente tenho que admitir que muitas das regras que criei aqui são por causa dos brasileiros”. Tentei pegar alguns números sobre esse aumento no número de brazucas nos albergues do Rio, mas o Ministério do Turismo ainda não possui esta informação.

lighthouse-reception.jpgAgora, o que leva uma pessoa a trocar o conforto de um quarto de hotel pelos quartos com beliche de um albergue? Encontrei Fernanda Paiva, de Fortaleza, no Adventure Hostel, em Ipanema. Era a segunda vez que ela ficava em um hostel, a primeira tinha sido em Bonito-MS. Ela citou o preço como um fator importante, mas não só isso: “em um hotel você fica isolado. Não conhece ninguém. Aqui você conhece gente de diferentes culturas, faz amigos. É outro clima”.

Com o aumento do número desses estabelecimentos não só no Rio, mas em todo o Brasil, “mochilar” pelo país se torna cada vez mais fácil. Espero ver mais brasileiros passando pela minha rua, mochilão nas costas, a caminho dos diversos albergues que existem na área (são pelo menos uns quinze em um raio de 1km). E espero também que o governo crie condições para que todos eles funcionem dentro da lei. O Brasil é um país perfeito para esse tipo de turismo, faltavam os estabelecimentos e a gente mudar a nossa mentalidade. A primeira questão está resolvida… a segunda, em pouco tempo, estará também.

Veja a lista de albergues do Rio de Janeiro.

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