Tudo começou quando Maureen e Tony Wheeler se conheceram em um banco do Regents Park, em Londres. Um ano depois, o casal embarcava em uma viagem de lua-de-mel da Europa à Australia em um carro velho e com pouco dinheiro no bolso. A viagem custou todo o dinheiro que eles tinham – e mais o que eles conseguiram pegar emprestado e pedir nas ruas. Ao final da jornada, eles estavam quebrados… mas felizes.
Das experiências vividas pelo casal, começou a nascer o primeiro livro. Influenciados pelos amigos, os dois passaram noites acordados, debruçados sobre a mesa da cozinha, relendo os diários e escrevendo o que viria a se tornar um clássico: “Across Ásia on the Cheap”. Em apenas uma semana, o vendeu 1.500 exemplares e, não só os Wheeler conseguiram sair do vermelho, como tinham dinheiro o suficiente para fundar a Lonely Planet. A introdução do livro resume bem o estilo aventureiro do casal, e é um estímulo para nós, viajantes: “tudo o que você tem a fazer é decidir ir, e a parte mais difícil já está resolvida. Então vá!”
Dois anos depois, a segunda viagem do casal pela Ásia levou ao livro “South-Asia on a shoestring”. Depois vieram os guias sobre o Nepal, África e Índia. Hoje a companhia possui livros sobre quase todos os países e cidades que você possa imaginar, escritos por mais de 300 autores, além de produzir programas de TV, possuir um banco de imagens extraordinário e manter um excelente website com dicas, histórias de viagens e serviços para viajantes, com 4.3 milhões de visitantes por mês.
Quem já usou um guia da Lonely Planet em uma viagem, ou mesmo assistiu a um de seus programas, sabe que realmente ele é um dos melhores que há por aí. Informações corretas, precisas, interessantes e relevantes, de pessoas que gostam de viajar e sabem do que estão falando, recheado de referências históricas e editado de uma maneira que nos faz pensar nele como um companheiro de viagem.
No entando, é visível a mudança que houve nos guias durante o processo de profissionalização da empresa. Enquanto que nos primeiros guias o casal ensinava os viajantes a comprar carteiras de identidade falsas e drogas e chamava o governo da África do Sul na época do apartheid de cretinos e psicóticos, os de hoje são mais sérios, menos voltados para os mochileiros.
Algumas opiniões bem críticas permanecem nos guias e, na edição de 2003 sobre o Brasil, há apenas algumas poucas páginas sobre São Paulo, a cidade com o maior número de museus, teatros, boites e eventos culturais do país, que recebe duras críticas e que os visitantes são recomendados a não visitar.

Pois bem, por que estou contando toda a história dos Wheeler e do LP? Porque a companhia acaba de ser vendida para a BBC por 100 milhões de Libras, ou pelo menos 75% dela… 25% ainda continuam com os Wheeler, que com a venda pretendem voltar a viajar pelo mundo. “Nós sentimos que a BBC Worldwide forneceria uma verdadeira plataforma para a nossa visão e valores, ao mesmo tempo permitindo que nós elevássemos a empresa a um outro patamar.” Para a BBC, o negócio vai ajudá-la a se tornar “uma das líderes mundiais em conteúdo”, de acordo com o CEO da empresa, John Smith. Outro objetivo é aumentar a visibilidade on-line e em mercados como Austrália e América do Norte.
Se isso é uma boa ou má notícia, se vai mudar o conteúdo dos livros, tornando-os mais “careta”, realmente eu não sei. A boa notícia é que o casal ainda continua no negócio e, talvez com mais tempo para se dedicar às viagens e à parte editorial e menos ao business, talvez vejamos boas novidades por aí. Quem sabe até um novo livro da dupla.
Novembro 27, 2007 at 3:34 pm
Pedro,
Tomara que essa mudança só melhore ainda mais o conteúdo!!! Lonely Planet é peça essencial para a minha mochila. Toda viagem que faço levo a versão atualizada do destino e considero o guia de viajens mais completo dentre todos.
Adorei seu blog. vou passar por aqui contantemente!
Abraços
Dezembro 6, 2007 at 10:54 am
Passei por aqui e resolvi deixar essa mnsagem de um blogueiro de viagens. Não tenho nada a ver com mergulhos, mas coisas bem feitas, arrumadas, bem escritas e capricahdas como seu blog merecem registro, elogios e incentivos.
Parabéns!
Se puder e quiser passar no FATOS & FOTOS de Viagens e deixar uma mensagem, agradeço.
PASSAREI sempre por aqui…
Dezembro 21, 2007 at 2:48 pm
Oi, eu esteve em Lençois – Chapada Diamantina e realmente adoreiiiii!!!
gostaria de saber como deixar algumas dicas de serviços de guias, pousadas para outros visitantes, vc. pode me informar como fazer isso no Loely planet e em outras guias;
grata
Claudia
Abril 17, 2008 at 7:37 pm
Eu já estava com CERTEZA em comprar este guia, mas uma coisa que eu detesto é estrangeiros que falam mal do Brasil. Recomendar São Paulo como um lugar para NÃO se visitar? Pelo amor de deus né. São Paulo é a terceira maior metrópoli do mundo e como toda metrópoli tem seus problemas sim, como o Rio de Janeiro também tem (e muitos), Londres, New York, Tokio, Cidade do México ou qualquer outra capital ou grande cidade possui, seja num país de primeiro, segundo ou terceiro mundo.
Por isso vou pensar seriamente se vou mesmo comprar este guia, pois prefiro boicotar qualquer obra ou coisa que venha de gente que menospreza nosso país e comprar daqueles que, no mínimo, são imparciais.
Deixo aqui meu repúdio.